Lupi Martins
Repórter da Agência Brasil
Porto Alegre - Cerca de duas mil pessoas participaram hoje (7), em Porto Alegre, de uma manifestação em protesto pela morte do sindicalista Jair Antonio da Costa. Ele foi morto em Sapiranga, a 40 quilômetros da capital gaúcha, em confronto com a Brigada Militar, durante manifestação contra o desemprego no setor calçadista do Rio Grande do Sul. Na quinta-feira, cerca de mil pessoas também organizaram em Sapiranga protesto e um culto ecumênico.
Hoje, os trabalhadores carregaram faixas com as frases "Chega de mortes" e "Punição aos assassinos" e iniciaram a manifestação em frente à secretaria estadual da Justiça e de Segurança Pública. Segundo o presidente estadual da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Quintino Severo, haverá uma audiência com o governador Germano Rigotto na próxima segunda-feira, às 15 horas.
O presidente nacional da CUT, João Felício, afirmou que vai encaminhar nos próximos 15 dias uma denúncia à Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre excessos cometidos pela Brigada Militar. "Não podemos admitir esse tipo de repressão violenta a uma manifestação de trabalhadores".
Soldados da Brigada Militar acompanharam à distância o protesto. Também na segunda-feira, o delegado de Sapiranga, Moacir Firmino Bernardo, fará uma acareação dos soldados da Brigada com patrulheiros rodoviários que se acusam mutuamente pela responsabilidade na morte do sindicalista.
Jair Antonio dos Santos, de 31 anos, foi morto depois de dominado durante o protesto. A Policia Civil e a Brigada Militar abriram inquérito para investigar a morte. O laudo preliminar do Posto Médico Legal de Novo Hamburgo diz que o sindicalista sofreu asfixia, contusão hemorrágica da laringe e traumatismo cervical.