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Trabalho e Confraternização

Publicado em 22.07.2010 por Ministério da Cultura

Muita alegria, confraternização, visita a sítios do patrimônio mundial e intensas reuniões de trabalho são as marcas das oficinas do Fórum Juvenil do Patrimônio Mundial da Unesco no Brasil, que estão sendo realizadas durante a passagem dos jovens por monumentos naturais e arqueológicos brasileiros e argentinos, registrados na lista de bens da humanidade.

As oficinas estão sendo realizadas com o objetivo de sensibilizar a juventude para a educação patrimonial e terão como resultado final a elaboração de um documentário, uma carta de intenções, uma exposição fotográfica e a divulgação das realizações do evento na web, dando início a uma rede social para abordar o tema do patrimônio mundial.

A turnê começou no dia 16 de julho, na cidade de Foz do Iguaçu, onde houve o lançamento do Fórum. No local, os jovens conhecerem a belíssima paisagem das Cataratas do Iguaçu e deram início às intervenções artístico-culturais que estão sendo realizadas junto aos sítios visitados. Nas quedas do Iguaçu, fizeram captação sonora para o documentário, misturando o som de instrumentos e cânticos indígenas ao barulho das águas. Nas ruínas de San Ignacio Miní (Argentina) e São Miguel Arcanjo (Brasil), cantaram e dançaram músicas com temática indígena e também recitaram poesias.

Em Foz do Iguaçu, foi a beleza e a força da natureza que mais impactaram os jovens visitantes. Já nas ruínas das reduções jesuítas, o assunto que dominou os debates foi a precária situação dos índios Guarani, povo protagonista do passado histórico destes sítios arqueológicos, que hoje está empobrecido, vendendo artesanato na entrada das ruínas e alijados das atividades ali desenvolvidas.

Encontro com o Cacique

Dentro da programação do Fórum, em São Miguel (RS), a coordenadora do escritório do Iphan nas Missões brasileiras, Candice Ballester, levou o grupo para uma conversa com o cacique Guarani, Ariel (Guaray-Pote). Ele respondeu aos questionamentos dos jovens e apresentou um vídeo feito pelos próprios índios com ajuda da ONG Vídeos nas Aldeias, em uma oficina de realização audiovisual ministrada pelo Iphan.

O cacique lamentou a falta de espaço para o seu povo caçar e praticar os rituais sagrados de sua cultura. Disse que vivem em uma área de 10 hectares, a 30 km da cidade, terra que considera insuficiente para a prática dos rituais religiosos, que dependem de locais pré-determinados dentro de seu território ancestral.

“Vivemos muito tristes na aldeia, mesmo assim fizemos este filme, para mostrar um pouco da nossa realidade aos brancos”, comentou o cacique. Ele disse que o trabalho é uma oportunidade de demonstrar que o povo Guarani também tem capacidade de produzir cultura e de usar as ferramentas audiovisuais para falar sobre seus costumes.

Questionado por um dos jovens sobre o que mais os Guaranis precisam para desenvolver sua Cultura na área indígena de São Miguel, Ariel respondeu que necessitam principalmente de mais terras e de respeito. “Ainda existe muita discriminação contra o índio. Tem gente aqui na cidade que nem sabe que existe uma aldeia Guarani no município. Precisamos de respeito e reconhecimento de que temos uma cultura de valor”, complementou.

A visita à cidade gaúcha foi encerrada na noite de segunda-feira, dia 19, com a apresentação do espetáculo de Luz e Som nas ruínas. Foi um momento de grande emoção para o grupo, que já estava sensibilizado após a conversa com o cacique. Fechando a noite, foram jantar e assistir a apresentações de danças folclóricas dos elencos infantil e juvenil do Centro de Tradições Gaúchas (CTG), Sinos de São Miguel. Na ocasião, foram convidados a dançar e a interagir com os bailarinos, quebrando o gelo de uma noite de baixa temperatura.

Seguindo Viagem

Na manhã do dia 20, começou o caminho de volta para a Capital Federal, visitando, ainda, as ruínas das Missões de São João Batista, no município de Vitória (RS). Um sítio arqueológico de menor porte e menos conservado do que São Miguel, porém de importância significativa para as reduções missioneiras do Século XVII, pois era o local onde extraíam ferro da pedra itacuru para a confecção de sinos, ferragens e ferramentas utilizados nas povoações.

Ao meio-dia, pararam para almoçar na cidade gaúcha de Santo Ângelo, onde também visitaram ruínas de antigas igrejas dos padres jesuítas e o museu da cidade. Ao entardecer, pegaram a balsa para atravessar o Rio Uruguai, na fronteira entre o Brasil e a Argentina, no município de Porto Xavier (RS).

À noite, já estavam nas Missões argentinas de San Ignacio Miní. Uma parada para assistir um inusitado espetáculo de Luz e Som no sítio arqueológico. Figuras indígenas holográficas, em terceira dimensão, foram projetadas nas ruínas e sobre esguichos de água, produzindo um bonito efeito de imagens luminosas que encantou a todos.

Após a exibição, o jantar se transformou em uma verdadeira confraternização entre brasileiros e argentinos, com a qual todos caíram no samba, desde o motorista, garçons e clientes argentinos, até o jovem mochileiro chinês, Alpha Lee, que acompanhou o grupo durante o trajeto missioneiro. Na madrugada, seguiram em direção ao Brasil, para a cidade de Goiás (GO), próximo sítio do Patrimônio Mundial a ser visitado.

(Texto e fotos: Patrícia Saldanha, Comunicação Social/MinC)

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