Brasília, 15/11/2003 (Agência Brasil - ABr) - A imagem do Brasil no exterior, com relação ao uso da tecnologia, avançou muito em alguns aspectos fundamentais do governo, como o pagamento de impostos, as votações eleitorais e a busca de informações públicas. A análise é do secretário-geral da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), Rubens Ricúpero, que em entrevista coletiva on-line concedida ontem (14) destacou que o Brasil detém de 50% a 60% do volume de comércio eletrônico (e-comércio) da América Latina.
O Brasil é o terceiro colocado no ranking de países em desenvolvimento com maior número de usuários de internet, logo depois da China e Índia, segundo o relatório da Unctad sobre comércio eletrônico (e-comércio), o único existente no gênero. O número de usuários cresceu à taxa de 78% entre 2001 e 2002. E as 30 maiores empresas representam 90% do e-comércio, com destaque para o setor bancário e o setor automobilístico, este ultimo tanto em compras pelo sistema on-line de fornecedores como para a venda de automoveis. Nestes setores, acrescentou Ricúpero, a competitividade aumentou, mas o que falta é atrair as pequenas e médias empresas. "O Brasil está à frente do México, da Argentina e do Chile", disse.
A importância das tecnologias da informação do comércio eletrônico e da integração logística para a competitividade e o desenvolvimento na América Latina e no Caribe é o tema da Conferência Regional da Unctad que será realizada no Rio de Janeiro nos próximos dias 25 a 27, numa promoção conjunta com o governo brasileiro. A conferência é preparatória para a Unctad XI, que se realizará em São Paulo no próximo ano.
Rubens Ricúpero informou que a principal finalidade do encontro é promover a adoção, pelos paises da América Latina e do Caribe, de politicas publicas que estimulem a utilização pelas empresas privadas, sobretudo as pequenas e médias, das mais avançadas tecnologias de informação e comunicação. "Hoje em dia, sem o uso dessas tecnologias, nenhuma empresa terá condições de competitividade nos mercados internacionais", indicou. A reunião apresentará exames de casos concretos e as condições prevalescentes no mundo a fim de orientar a escolha das práticas que tiveram maior êxito.
O secretário-geral da Unctad lembrou, na entrevista, que falta ainda atrair as pequenas e médias empresas para o uso da tecnologia, o que pode ser conseguido por meio da formação de consórcios e cooperativas de exportação, utilizando a ajuda de organismos como o Sebrae. Sobre a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), Ricúpero se disse "contrário a toda e qualquer tentativa de estabelecer impostos sobre exportação de qualquer produto". E acrescentou: "Fazer isso é dar tiro no próprio pé, uma vez que o ideal de qualquer pais é estimular ao máximo a exportação e para isso, quanto menos se onerar o produto com impostos, melhor será".
Para o secretário, os subsídios agrícolas só poderão ser negociados na Organização Mundial do Comércio (OMC) e não na reunião ministerial sobre a Alca, na próxima semana, em Miami (EUA). "No entanto, há conseqüências para a Alca, no sentido de que não se poderá aceitar que produtos favorecidos por subsídios domésticos possam ser beneficiários do acordo. Além disso, o importante será que os produtos agrícolas brasileiros possam ver reduzidas as barreiras tarifarias e não-tarifárias que lhes impedem o acesso ao mercado norte-americano". (Kelly Oliveira)