No último dia 30, na cidade de Rio Branco, o ministro Gilberto Gil foi conhecer de perto o trabalho dos Pontos de Cultura Associação Vertente e Casa da Leitura Gameleira. Na ocasião, também visitou a Comunidade de Alto Salto, onde recebeu de lideranças religiosas o pedido de registro do uso da ayahuasca por comunidades tradicionais como Patrimônio Cultural Imaterial brasileiro.
Associação Vertente
O ministro da Cultura visitou o Ponto de Cultura Associação Vertente, localizada no bairro Wanderlei Dantas, na periferia da capital acreana. A associação foi contemplada há dois anos pelo Programa Cultura Viva do MinC, como Ponto de Cultura. Trabalha com crianças de 2 a 14 anos, desenvolvendo oficinas de capoeira, balé, yoga, percussão e confecção dos instrumentos musicais com materiais retirados da floresta, como o bambu e a casca da castanha do Pará. Recebe uma média diária de 50 crianças.
Gil visitou todas as instalações, assistiu a apresentações artísticas das crianças e entoou uma cantiga africana, acompanhado pela bateria dos alunos da oficina de percussão, Som da Floresta. A Associação Vertente recebe crianças do bairro e das escolas públicas. “Destacamos, junto aos nossos alunos, a importância da floresta para a nossa vida e a importância de ser um cidadão atuante na comunidade”, comentou a instrutora da oficina de percussão, Neiva Nara, sobre a formação que o Ponto de Cultura procura dar às crianças.
Para muitos deles, o local é um segundo lar, onde brincam e aprendem sobre os ritmos musicais brasileiros. “A banda da Associação Vertente é um pedaço de mim. As vezes, quando a minha mãe diz que vai me tirar daqui, eu começo a chorar”, comentou Wenler (Dudu), de 13 anos, filho de uma diarista e de um trabalhador da construção civil. Ele toca pandeiro e tambor na charanga do Ponto de Cultura e está no projeto desde o início, há cinco anos.
Casa da Leitura Gameleira
No final da tarde, depois de participar da cerimônia de assinatura do acordo de cooperação para a implementação do Programa Mais Cultura no estado do Acre, o ministro Gil foi conhecer outro Ponto de Cultura, a Casa de Leitura da Gameleira. Criado pela prefeitura do município de Rio Branco, com o nome de Mala de Leitura, mais tarde foi absorvido pelo governo estadual e há três anos se transformou em Ponto de Cultura. Atende uma média diária de 50 crianças, que vêm principalmente, das escolas da cidade.
“Aqui nós contamos histórias, fazemos uma pequena dramatização e estimulamos a participação dos alunos”, comentou o professor de Letras, Edmilson Junior, integrante do grupo de contadores de histórias da casa. Além deste grupo, formado por professores e atores, o projeto oferece variadas coleções de livros para as crianças. Durante a visita do ministro Gilberto Gil, o professor Edmilson apresentou a história do Boto Cor de Rosa, uma das lendas da região. O ministro presenteou o Ponto de Cultura com uma coletânea de lendas amazônicas do escritor Apolonildo Britto.
Comunidade Alto Santo
Encerrando a agenda de compromissos na cidade de Rio Branco, o ministro Gilberto Gil visitou a comunidade Alto Santo, onde recebeu um documento de lideranças religiosas, que solicitaram ao Ministério da Cultura o registro do uso da bebida ayahuasca como Bem Imaterial do Patrimônio Cultural Brasileiro.
O documento foi assinado por representantes de todas as religiões que fazem uso da bebida, como o Santo Daime, a União do Vegetal e a Barquinha. O ministro informou que encaminhará o pedido para avaliação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) - autarquia vinculada ao MinC - responsável pela política de reconhecimento de manifestações culturais brasileiras como patrimônio imaterial.
Ayahuasca
É um termo de origem Quéchau (lingua indígena falada nos países andinos), que significa vinho das almas. É utilizado para designar o chá feito por duas plantas originárias da floresta amazônica: o cipó Jagubé ou Mariri e as folhas da Rainha ou Chacrona. Serviu de base na formação de diferentes tradições espirituais por comunidades indígenas em uma vasta região que compreende países amazônicos, como o Brasil, Peru, Bolívia, Colômbia e Equador, entre outros. O ayahuasca vem sendo usado por comunidades indígenas nos últimos dois mil anos e teve papel importante nas tradições mágico-culturais de sociedades complexas da região andina, como a civilização Inca, por exemplo.
Durante a visita à comunidade Alto Santo, o ministro Gil assistiu a uma cerimônia religiosa em comemoração ao aniversário de 116 anos do nascimento do fundador da religião, mestre Irineu Serra. Na ocasião, ele fez comentários sobre a importância dos rituais dos povos da floresta na vida social, religiosa e cultural de diversas comunidades brasileiras. O ministro informou às lideranças que o reconhecimento dessa prática poderá ser obtido pelo ministério, após avaliação, da mesma forma em que o Terreiro de Candomblé do Axé Opô Afonjá (em Salvador), foi reconhecido pelo Iphan.
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(Texto: Patrícia Saldanha, Comunicação Social/MinC)
(Fotos: Val Fernandes)