A governadora Yeda Crusius citou em Nova York, nesta sexta-feira (2), em entrevista durante o Fórum de Desenvolvimento Sustentável 2008, a aprovação do zoneamento para a silvicultura no Rio Grande do Sul como um dos exemplos que o Estado está dando em favor do desenvolvimento sustentável, além do incentivo à produção de biocombustível. Aprovado por unanimidade pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), no último dia 9 de abril, o zoneamento para silvicultura tornou o Rio Grande do Sul o primeiro estado brasileiro a ter diretrizes concretas e eficazes para limitar o espaço ao plantio florestal destinado à atividade econômica. Ao mesmo tempo que atende a expectativas da sociedade, possibilita maior fluxo de investimentos do setor, sem prejuízos ambientais.
Em reunião com o ex-presidente norte-americano Bill Clinton um dos palestrantes do evento -, Yeda Crusius ouviu dele que o mundo está olhando o Brasil atualmente do ponto de vista das experiências do país na produção de etanol a partir da cana-de-açúcar. Isso porque o etanol obtido da cana é reconhecidamente mais benéfico ao meio ambiente do que o produzido a partir do milho, que é a matéria-prima utilizada pelos Estados Unidos.
No Rio Grande do Sul, investimentos em pesquisas para o desenvolvimento de tecnologias para aproveitamento da cana-de-açúcar (além de canola, girassol, mamona e mandioca) na geração de biocombustível fazem parte do Programa Estruturante de Agroenergia do governo do Estado. Em janeiro deste ano, foram liberados R$ 1,37 milhão pela governadora Yeda Crusius para esta finalidade. E no último dia 4 de março, a governadora formalizou cinco termos de outorga para que a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs) coordene, juntamente com outras quatro instituições, o trabalho de 143 pesquisadores, divididos em 22 grupos e em 15 centros de pesquisas no Estado.
A iniciativa brasileira envolvendo o etanol de cana-de-açúcar, somada ao tamanho continental do Brasil e à preservação da Amazônia, tem tudo para fazer do país, na opinião de Bill Clinton, uma referência em opções bem-sucedidas para o desenvolvimento sustentável. Clinton disse também que não vê contradição entre crescimento econômico e preservação ambiental, o que, conforme exemplificou, já foi demonstrado por nações como Dinamarca e Suécia.
Entre os palestrantes do Fórum promovido no Cipriani Wall Street, pelo Fórum das Américas e pela Associação das Nações Unidas para o Brasil -, estiveram também a subsecretária de Estado do governo George W. Bush, Paula Dobriansky, o pesquisador David Tang, o diretor da Fundação Amazônia Sustentável, Virgílio Vianna, a presidente da Rede Energia (investidora em várias regiões do Brasil), Carmem Campos Pereira, e o presidente da Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool, José Pessoa de Queiroz Bisneto, que também falou sobre as vantagens do etanol gerado da cana-de-açúcar.